“Cachaçaria” é coisa de viado!
Se o cara é macho e quer uma cachaça , vai ao bar, pede uma e toma. Para os que têm dúvidas do que significa ” vai ao bar, pede uma e toma”, vou esclarecer, mas já vou adiantando que quem não entende isso já é meio viado:
Quando fala-se “bar”, quer se dizer “bar”. Em pé, no balcão, de preferência perto da porta pra poder azarar a mulherada que passa na rua
e ser visto por todos. Complementam o cenário um cachorro comendo osso de frango e um bêbado falando merda . Além disso alguns sinais culturais complementam um bar , como imagem de santo ao lado da bandeira de time de futebol , aquela foto da escalação campeã que saiu no jornal há pelo menos uns 10 anos, troféus do time do bairro, torresmo peludo, moela, ovo colorido e uma salsicha solitária boiando no vidro. Resumindo, quem é macho sabe o que é um bar.
E “pedir” uma cachaça se faz de forma objetiva, como por exemplo: “coloca uma aí !”, seguido de uma porrada no balcão . Isso basta para
que o mané, que em geral também aprecia um goró, saiba do que se trata e como deve-se servir: um copo quase limpo, de fundo grosso, e a dose até derramar no balcão.
Enquanto que “tomar” é algo que se faz com estilo: vira-se numa golada, faz-se aquela cara feia seguida de um ahhhrrrrr, e fala-se algo como:
- puta que me pariu;
- não sei como bêbado bebe essa coisa;
- ou ainda o clássico “queima filha da puta”.
Nota: os mais religiosos não dispensam derramar um choro pro santo antes de dar o goró; alem de perpetuar a liturgia etílica , essa prática
contribui para a aromatização característica do ambiente.
Agora vejam isso:
Ir em uma cachaçaria, um ambiente no mínimo suspeito, onde frequentadores vão acompanhados de namoradas ou esposas. Não tem nem mesmo um cachorro magro perambulando pra você poder chutar. Local onde misturam água na cachaça…. pra ficar fraquinha! … e um monte de merda para dar o “aroma”. Porra! , quer tomar água então pede um copo dágua e foda-se.
Tem mais, você escolhe o “aroma” :
- por favor, veja-me uma de canelinha;
- hoje eu vou tomar aquela com melzinho;
- quero uma de coquinho (coquinho já é o limite da viadeza).
Tomam essa merda em um copo minúsculo , que obriga as bichas a fazerem um biquinho….biquinho, é o fim. E no lugar do clássico “queima filha da puta”, dizem:
- que delícia;
- é fraquinha;
- nossa como é suave;
- hummmm que gostoso, toma um golinho da minha e eu tomo um golinho da sua;
- acho que estou de pilequinho (essa parece ser a senha da tribo e quer dizer que está querendo soltar o rabo)
Depois deste relato, pergunto:
Algum de vocês pretende comemorar aniversário em uma cachaçaria ?
Note bem: minha presença em uma cachaçaria teve o único e exclusivo objetivo de avaliar a tipologia do viadus urbanus, minha tese de mestrado em antropologia, e que trará substancial contribuição para a preservação da masculinidade. Lamento ter que registrar que constatei membros de nosso convívio profissional neste local…..como diz o Jorge : “os pilares estão ruindo” tenho mais um relato a fazer sobre pedir “café com espuminha”, mas deixo pra próxima reunião do conselho.
Comenta aí, viadinho